Athynir – O livro

Athynir › O livro
Esta obra é um desvio intencional da realidade, vista através da riqueza poética e da fantasia. Não há intenção de ser referencia a qualquer pessoa ou religião. A liberdade de ir e vim aos mundos reais, espirituais ou imaginários é um dom discutido por todos. Cabe a qualquer um definir a linha tênue que divide a sanidade e o inexplicável. Acredite ou não essa aventura fantástica foi baseada em fatos reais.
Athynir
Conhecer os mistérios da magia, sempre foi um dos principais objetivos do homem. Ter o poder sobre a vontade do outro, impor sua força através do controle dos mistérios ocultos e reservados apenas aos eremitas de seitas secretas. Secreto também é o desejo de encontrar o criador. Este capítulo fala sobre o sacerdócio vocacional de uma pessoa que durante anos lutou por renegar sua missão Entender os espíritos não é fácil, pois tão qual os vivos, os mortos possuem opiniões diversas. Ouvir, ver, sentir e falar com o astral parece loucura para quem não vivenciou uma experiência sobrenatural, parece apenas mais um conto de mistério, cuja narrativa é fictícia e eloqüente. Todavia, mesmo aquele que participa ativamente desta relação entre a vida e a morte, as vezes se deixa levar pela dúvida ou medo de saber que a loucura assombra os pensamentos dos lúcidos e que a barreira entre a normalidade e a loucura é apenas um fato que não merece ser explicado ou compreendido pelo homem. Anjos, demônios e fantasmas caminham juntos sem se preocupar com as referências convencionais, temporais ou cientificas. A lógica de Deus talvez tenha fugido ao mero e frágil entendimento do homem. Simplificar e unificar todo poder em um único ser, é admitir de forma indireta que este poder é almejado por outros seres, pois todo poder encanta. E não há uma referência de que a vida seja vivida em ciclos eternos… não podemos ser meras divisões de células neste macro e infinito universo. Nosso personagem,é na verdade um homem comum, destes que passam pela rua e se mistura entre a multidão de forma anônima. E talvez continuasse anônimo, se não houvesse um elo entre este mundo dos vivos e o mundo dos mortos, que em sua visão parecia ser algo cotidiano. Ver vultos, ter sonhos premonitórios, e ouvir vozes durante as noites, pode ser objeto de incompreensão até para quem é protagonista. Querendo conhecer seus limites e os abismos da alma, Lino Tavares, tenta na religião afro, entender os espíritos. Caminhou pelos corredores proibidos da umbanda, quimbanda e candomblé. Estudou magia em todos os livros disponíveis em bibliotecas, e por fim se formou em parapsicologia. Pois ao seu ver era a ciência que estudava a alma e manifestações não desconhecidas da ciência tradicional. Porém foi em contatos diretos que sentiu o perfume das flores do passado que ornamentavam as lembranças de casas e lugares que para muitos estavam vazios. Entre suas perguntas constantes, queria ir além dos limites do tempo e do espaço, e viajar pelos oráculos dos povos antigos. Teve contato com alguns ciganos, e deles herdou o direito a invocar os elementos da natureza. O fogo, a terra, o ar e a água, que constituíram o comprimento maior de seus ensinamentos. Ouvir os elementais, e aceitar que há guardiões em cada reino. E que estes guardiões são eternos, em relação à história da humanidade. Objetos sacros são manipulados com arte e são fragmentos de relatos de espíritos artesões. Todavia estes objetos não estão presentes a não ser em visões confusas que precisam ser interpretadas e entendidas. Athynir, é o nome de batismo dado por um destes mentores espirituais, que tanto se falam nos centros de mesa, à Lino. Segundo este espírito Athynir é o nome como os mortos o chamaram deste momento em diante. Filho de uma mulher religiosa, que no passado foi freira, e conhecedora da liturgia católica, e depois foi iniciada no candomblé, e que por este passou rapidamente, mas deixou a herança ao seu filho, o qual estava em seu ventre quando iniciada. Lino é fruto do amor de Tilia e Tukin. Tukin sujeito pacato, vindo do interior do Estado do Rio de Janeiro, respeita as orações dos caboclos curandeiros, que trabalhavam na fazenda de seu Pai. Esta miscelânea de informações modelou de forma eclesiástica o nosso personagem. Personagem este que adquiriu o direito de ir e vir pelos sonhos dos vivos e dos mortos. Athynir recebe instruções sobre a magia, tanto branca, quanto negra de almas que aflitas precisam de paz. E também incorpora um Cigano, Wladimir.
Wladimir
Este ser espiritual, de grande conhecimento da história da humanidade, passa a dirigir os feitos espirituais de Athynir. Porém há um limite entre Athynir e Wladimir, pois por precisar do corpo de Athynir para incorporar e fazer uso da palavra, aos seus novos discípulos, ou filhos de Santo de Lino. Wladimir revela aos poucos seu perfil de rei e líder cigano, cuja fama de mediador de conflitos rapidamente se espalhou, e por isto ganhou respeito e fortuna de outros povos. Forma-se um grande legado da alta magia. Considerado um salamandro, porque provem do clã cigano do cobre,(onde os homens aprendem a forjar os metais, mas, apenas fabricam utensílios e falsas jóias. Jóias estas que ornamentam a vaidade humana, sem desperta a ira da inveja e cobiça alheia – a beleza do ser humano é a vida e não meras jóias). Durante sua vida lutou por um grande amor chamado Rosa Dourada, que se encontrava eternamente doente. Era uma mulher frágil, que se feria ate com as palavras rudes que alguém lhe falasse. Wladimir ao contrário, gostava de festas, do bom vinho e da música do violino. Mas Wladimir sempre queria mais. O poder o fez ficar descontente, pois a cada dia via um novo obstáculo e com isso aprendeu todo o rito do desconhecido, através de suas viagens, se agrega junto ao clã do pensamento.Esta viagem o faz ver que o amor e a amizade possuem magia própria. Quando voltou viu que Rosa Dourada não estava mais ali, amargurado através de rezas, feitiços e conjuros ele garantiu que suas almas estariam sempre unidas pela força do fogo. Porém para que eles se encontrassem deveria se passar 100 anos. E assim um dia esta data chegou.Hoje Wladimir ainda viaja, atrás de seu grande amor, somando conhecimentos e ajudando os que partilham da alegria junto a ele, essa é uma das muitas lendas que fala sobre a origem de Wladimir reis dos ciganos. Através de Racan, Wladimir revela suas fases de vida. São 4 como a lua, os elementais ou as estações do ano: -Há um momento inicial que ocorre em janeiro, na época de reis magos. Período de festas entre os ciganos, Wladimir é apenas um rapaz, imaturo, inocente, rebelde e que quer correr solto em busca da liberdade. Segue a estrela que surge nas noites indicando a soberania de um Rei maior. -O segundo momento, Wladimir é jovem, tem o tom da beleza jovial em sua pele e se preocupa em viver vários amores e a liberdade libertina que só alguns pássaros conhecem. Viaja sem rumo e conhece vários povos, aprende observando e usa a força como expressão de sua presença. -No terceiro momento, Wladimir é maduro e chamado para assumir a liderança de seu povo. É um adulto, que passa por um momento difícil e é acometido de forte mal de doença, seu povo esta apreensivo e ora por Santa Sara… Neste momento é dado a Wladimir, no momento moribundo entre a vida e a morte, o dom de ser mais que um rei dos ciganos, e passa a ser também o general dos exércitos dos ciganos mortos. -No quarto momento, Wladimir retorna os caminhos que já caminhou, percebe que usou a força, quando poderia ter usado o conhecimento que renegava. Entende as fraquezas humanas e fortalece a união de seu povo e das religiões que o adotaram como uma entidade de luz. Wladimir na verdade é um cargo, um posto sacerdotal, litúrgico, que passa de gerações a gerações por escolhidos. Wladimir e Athynir, se completam e são parte integrantes desta história. Dois amigos.Um espírito e o outro um mero mortal. Entre os dois o abismo de não se encontrarem… um ouve e respeita o outro, através de recados ou dos oráculos das cartas, dos búzios e de intuições em sonhos. Nos sonhos eles se encontram. Mas não conseguem a sintonia suficiente para se falarem. Racan é peça importante deste jogo, pois consegue ouvir os dois, e integrar o silencio e a meditação. Também aprende e cresce como pessoa e líder espiritual. Embora não possa incorporar por ser um ogã, Racan precisa crescer rápido, pois é um adolescente, sem muita referência religiosa ate então. Recebe os primeiros ensinamentos e faz sua iniciação dentro do rito da magia. Recolhido e distante do mundo profano, Racan, é confinado aos seus pensamentos e vaga pela mansão da dúvida, acorrentado pela desconfiança e incerteza do futuro. A idéia de ser líder o fascina, e a responsabilidade pesa em seus frágeis 20 anos. -Para se ser líder é preciso entender o poder, o conhecimento da razão e a emoção ! Wladimir passa a ser o maior amigo de Racan. Um aprende com o outro. Se Racan, ainda jovem, curioso e faminto por conhecer o mundo dos espíritos e magia se alimenta em viagens, cujas imagens imagina acordado (pois perdeu o direito aos sonhos, quando sua mãe renuncia sua origem cigana). Sofre de insônia, toma diversos remédios para evitar convulsões e é argumentado por suas dúvidas entre o certo e o errado. Muitas das vezes bebia, tentando assim, através dos delírios recuperar a ingênua magia dos sonhos. De outro lado Wladimir, que conhecia bem os dois mundos, gostava de se ouvido, pois sabia, que os espíritos o ouviam como um rei e nunca se atreveriam a contraria-lo. Todavia Racan não o via como rei, mas sim como amigo e mentor. A amizade é o elo indissolúvel entre a vida e a morte, a amizade alimentava razões para que a fama de Wladimir fosse sempre de sabedoria, força e riquezas.
Racan (Filho do Rei)
Nome de anjo, para um rebelde sem responsabilidades. A vida de Racan é monótona, compartilhada entre dormir e vagar pela internet, garoto problema que desbravava o mundo através dos olhos numa tela (mal do século). Racan um insano digital que sempre viveu rodeado de fios, softwares e placas, no mundo da tecnologia e da razão, quando se vê em situações que mudam seus conceitos, tenta explicar o inexplicável. Têm ele pequenos vícios que precisam ser vencidos para que atinja seu desejo de ser um líder espiritual. Empolgado, embalado pelas novidades que não consegue explicar, encontra em Wladimir o modelo de amigo, irmão ou pai. Visto Wladimir ter 4 fases diferenciadas, Racan acompanha cada fase e ao deparar com a fase da doença e da morte de Wladimir, reflete e se encontra em preocupações com o real e o irreal. A Relação de amizade entre os dois se mostra em partes iguais. Um como mentor e o outro como pupilo, onde Racan aprende artes mágicas. O passado apenas é uma referencia entre a juventude e a velhice. O grupo dos ciganos é vivido em magia. Guiado por seu amigo gitano viaja e consegue com êxito aprender e se destacar na terra dos seres elementais. Conselheiro, Wladimir antecipa o dia seguinte de muitos e esta é uma das frações do poder desejada por qualquer general. Seria para qualquer um, uma forma de fuga da morte. Porem Wladimir guarda este conhecimento para si. Mas,Racan aos poucos aprende tanto que recebe o direito de ser o pai ogã da casa. Entre os ritos de oferendas aos espíritos, começa a ter criticas sobre as religiões. Pois cada religião tem seu dogma, mas cada uma completa a outra. Nenhuma verdade é absoluta e definitiva. Esta relatividade temporal e espacial, é um marco inicial para a renuncia de velhos valores. Vendo tudo que se passava, muitos fatos no qual participava, começava a ver os mistérios que havia entre a vida e a morte, descobrindo que a magia estava na sua família a gerações. Ouvindo e observando, começou a elevar seu espírito evoluindo dia após dia desbravando um misterioso mundo onde poucos tiveram a oportunidade de presenciar.
A Viagem
Por motivos de trabalho, Lino e Racan, viajam para uma pequena cidade do interior. Em busca de sua independência econômica, eles tentam a sorte na Região Serrana. Instalados em um bairro que preserva a história, passam a ir a noite conhecer o local. A cidade é pequena, apenas 2 ruas cortam o vilarejo. Uma igreja e o cemitério compõem cenário rural. Por não haver tanto progresso o local é pousada de grandes lembranças. Lembranças estas vistas como flashes de um filme. O local chamado Banquete, é rico em vegetação e cortado por um rio. Há uma cachoeira que fica escondida no meio da mata e pouco conhecida. O local é frio o que faz a cidade ser um tanto deserta de noite. A relação de amizade entre Lino e Racan é de pai e filho… sem saber Racan acaba sendo o vinculo de atualização do mundo contemporâneo, pois Lino se isolou do mundo por falta de tempo para televisão e contatos sociais. Precisava recuperar a auto estima de ter de volta valores materiais, os quais perdeu, quando da doença fatal de seu irmão Carlos. Lino possui outro irmão, este rico e ganancioso desconhece a lealdade familiar, e se limita apenas a juntar patrimônios. Longe de casa as idéias se reorganizam… é hora de ir em busca das verdades interiores. Certo dia, ao saírem de noite foram ao cemitério. Para realização de um ato mágico no qual já estavam habituados, tratava-se de uma pequena oferenda a exu. Exu, é um mensageiro dos orixás… andaram pelas ruas vazias e obscuras do pequenos vilarejo até chegarem ao cemitério. Era noite de lua minguante, fazia frio e o deserto se justificava pela tristeza da noite. Ao abrirem a porta do cemitério acendem duas velas, uma em cada lado do portão, a luz formou um brilho intenso e Lino pede a Racan que suspenda o ato. Estava preservando e respeitando um culto que via acontecer no cruzeiro. Nisto chega um jovem rapaz, que lhe aponta o caminho de volta… Não há por que não aceitar o convite de se retirar, afinal eram estranhos, e não queriam causar polemicas. O jovem se chama Wallace e sai junto com eles.. diz ser evangélico e que as pessoas ali reunidas oravam por paz. O jovem caminha calado e se limitou a estas poucas frases. Entretanto haviam velas a serem acessas e Lino pede a Racan que as acenda na rua da igreja, do lado de fora, para que não faltassem com o compromisso com as almas. Wallace observa tudo e parece assustado….
Wallace
Wallace continua acompanhando Racan e Athynir, perto da ponte de um rio que corta a cidade, Wallace chora e diz que foi ali que ele morreu. Espanto de Lino e indiferença de Racan. Lino percebe que Racan não via Wallace, Lino comenta o fato com Racan, ele ouve o fato com um pouco de resistência a idéia de estar próximo a um ser que não se tratava mais de matéria física, Lino mostra onde racan estava, o local era no meio de um ponte localizada no centro vilarejo, ele estava sentado no beiral olhando para o rio. Racan se dirige ao local procurando um prova da existência da presença de energia metafísica naquele local, se achega ao beiral e começa a chamar o rapaz, olhando pro nada começa a se dirigir ao invisível como se estivesse conversando com alguém, naquele momento, Racan fica atordoado com a forte energia que é gerada pelo vento que começou derepente. Na mesma hora ele se encosta na ponte com uma série de arrepios que gelaram sua espinha. Eles se sentam no banco da praça, e Wallace conta sua vida. Racan permanece curioso e atento ao relato de Lino. Wallace tem uns 16 anos, é magro, alto e triste. Embora seja um espírito Lino o vê como pessoa real. Isto gera dúvidas quanto a historia de Wallace. Como poderia um espírito se materializar daquela forma ? Wallace morreu em 1995, seu corpo foi achado no rio. Segundo ele, fora arrastado pela correnteza de uma forte chuva, que provocou enchentes, desmoronamentos e mortes naquele ano. Ao fim da noite, Wallace se afasta e com o mesmo mistério que chegou partiu…. No dia seguinte Lino vai a administração do cemitério verificar se há alguma referencia a morte de Wallace. Racan, através da internet pesquisa nos jornais e acha uma pequena nota sobre um corpo não identificado achado após as fortes chuvas… No cemitério o coveiro, diz que há varias pessoas que são enterradas como indigentes todo ano, logo em seguida lembra de um caso que poderia ser o relato de Wallace. O coveiro pede para conversarem num bar em frente e pede uma pinga. Ele diz que acredita muito no espiritismo e que se tornou coveiro por missão. Relata que o respeito aos mortos devia ser maior. Conta parte da história de Wallace. Lino retorna para casa e a noite volta ao cemitério, desta vez sozinho… pois deseja poupar Racan, desta historia, que ate então era sem propósito. Ao chegar próximo avista Wallace… -Wallace era filho de um pastor, um radical líder evangélico, que repudiava qualquer outra religião. Austero este líder foi muito conhecido na região. Wallace guarda mistérios que não revelaria neste momento a ninguém… Durante alguns dias eles conversam diariamente todas as noites e criam vinculo de amizade. Wallace ainda será protagonista de tramas espirituais as quais não entende… A dúvida de Lino sobre a presença física de Wallace, também ocorre com Wallace, que por ter referência evangélica entre em conflito querendo a liberdade de sua alma aprisionada a lembranças e não podendo ser visto por mais ninguém.
Mosá
Mosá é um amigo de Lino e Racan. Mora distante e veio conhecer a cidade em que seus amigos agora moravam. Todavia Mosá, sofre de tormentos espirituais e é capaz de ouvir a noite os espíritos. Acorda na madrugada e pergunta a Lino quem era o jovem que espreitava na janela durante a madrugada em seu quarto. Embora Mosá pudesse sentir a presença de Wallace, este não conseguia se comunicar de forma clara com este espírito. Mosá, é um desenhista, e faz o retrato de Wallace… Athynir pega este retrato e começa a perguntar a pessoas da região, cuja idade seriam compativas com a idade que teria Wallace hoje. Descobre então que Wallace havia fugido de casa após uma briga com seu pai. Embora fosse um pseudo pastor que estava quase sempre bêbado, e prepaga o moralismo religioso que não praticava. Seu único interesse era ficar rico. Um certo dia Wallace ao afastar seu pai de agredir sua mãe,provoca um acidente e este cai escada abaixo e morre. Wallace foge de casa, e a cidade inteira fica chocada com o fato. Afinal, era para muitos um santo homem. Mosá tem premunições estranhas e vê estas cenas em sonhos. Em outra noite Mosá vê Wallace com uma forma mais assustadora… deformado pela ação do tempo, olhos vermelhos como brasas. Confuso, Mosá, relato o fato a Athynir. Mosá precisa retorna para sua casa. Fica no ar mais um mistério de Wallace. Afinal o que realmente aconteceu ???? A família de Wallace partira para outro Estado e ninguém mais queria falar do fato. Lino encontra Wallace e este fica calado. A única preocupação de Wallace era ter a certeza de que Mosá havia partido. Wallace pede que Athynir rasgue os desenhos de Mosá… Racan fala sobre suas pesquisas… cada vez mais a história de Wallace apresenta mais mistérios. Racan pergunta a Athynir aonde estava Wallace e se aproxima mesmo sem vê-lo.. como se tocado por um raio Racan cai tonto. Foi uma experiência única para Ele. Wallace aumenta sua proximidade de Athynir e pede que este permita que ele use seu corpo em incorporação para poder falar com Racan. Athynir, médio de incorporação, permite.
Umbral o mundo dos mortos
O mundo dos mortos, tal qual o mundo dos vivos, tem suas regras básicas. Não se deve tentar alterar o ciclo da vida, sob pena de criar desarmonia entre os dois mundo. Wallace se aproveita do instante
em que Athynir aceita incorporá-lo e realmente mostra seu lado sombrio… Luta para permanecer vivo, em um corpo material e físico, desta forma finge ser Athynir, pois já o observara bastante para desempenhar o papel. Todavia, a fraqueza, a doença, atinge athynir, que quase morre. Athynir, neste período de ausência vaga pelos corredores de luz onde os espíritos são julgados. Conhece também portais para qualquer época de sua vida… como num retorno ao passado vê cenas de sua infância e também reencontra seu irmão que havia falecido há cinco anos. Athynir é levado a um hospital em crise severa de falta de ar… Wallace percebe que se este morresse também morreria e deixa o corpo de Athynir que logo volta a ter plena saúde. Athynir viajou pelo mundo dos mortos e agora era realmente digno do título que recebeu: ¨O que fala com os mortos¨. Wladimir, diz a Racan, através de Athynir, que Wallace estava confuso, pois na verdade ele havia se suicidado no rio e seu espírito não tinha paz. Caberia a Athynir um novo dialogo com Wallace, mas este fugia sempre que procurado. Wladimir em sua sabedoria passou a esta mais presente, e fortaleceu o vinculo entre Athynir e Racan, que de certa forma estava enfraquecido pelo medo de serem os espíritos capazes das mesmas maldades dos vivos. Mosá recebeu a visita de Athynir que viajou ao centro metropolitano. Mosá se oferece para ser um elo entre Wallace e athynir. Usaria a psicografia para relatar os conflitos de Wallace. Foi
em vão… Wallace mais uma vez se recusava a qualquer esclarecimento.
João Batista (João Carrapato)
No prédio onde moravam Athynir e Racan, havia um velho senhor, repleto de conhecimentos do candomblé… Todavia, este havia se convertido ao evangelho e já não falava mais do assunto. Entretanto ele presente que há muita atividade no apartamento de Athynir, e que moveis eram arrastado durante a noite. Durante o dia seguinte chama Athynir e reclama do barulho. Athynir então mostra que estava chegando naquele instante de viagem. João Batista preocupado de ter sido o apartamento invadido por algum ladrão sobe junto com Athynir. Por ser uma pessoa de grande sensibilidade João sente que a casa estava cheia de energias espirituais, calado volta para sua casa e em segredo pega seu velho jogo de búzios e vê que Athynir é uma pessoa diferente, e que corre grande perigo de vida. Relata para Racan que no passado era um ogã, tal qual ele. E que ensinaria a ele tudo o que sabia… Racan e Carrapato passam a estudar as leis dos espíritos juntos.
Desistência de um sonho
Mesmo depois de muitas adversidades superadas, Athynir se vê numa situação angustiante, mesmo superado várias conspirações em seu meio de convívio e trabalho fica desesperado com a situação financeira na qual acha. Ele sabe que não consiguirá segurar por muito tempo. Toma uma decisão precipitada: “Chega num agüento mais isso, vou desistir e voltar para a rotina, antigas formas de trabalho isso aqui não me rende mais nada”. Racan incomodado com essa situação tenta conversar com Athynir, mais ele esta cego por suas decisões e não da ouvidos a seu amigo.Destrata-o como se Racan não fosse nada. Racan observando aquela situação depois de muitas discussões, vai até o mundo espiritual se aconselhar por respostas, um dia Athynir chega no quarto e vê algumas velas no chão e Racan com um giz na mão terminado um desenho no chão. Uma figura de segurança e proteção espiritual. Sem saber o que acontece Athynir vai até o garoto e na mesma hora que se aproxima do símbolo e pisa ao seu redor, uma força inexplicável o leva pra dentro do símbolo místico. Ele ouve Racan citar alguns conjuros no qual não entende as palavras. Uma corrente ar forte abriu a porta do quarto, ventos se ecoaram dentro daquele local, o rapaz olhando pro nada percebe vultos e presenças naquele local, então o médium Athynir e tomado por uma presença fortíssima, Wladimir se mostrou presente naquele momento e Athynir não estava mais lúcido para acompanhar o acontecido. Depois da invocação ser bem sucedida o garoto saúda o seu amigo que estava em terra. O espírito de Wladimir estava inquieto e foi dito a Racan que a situação está mudando devido presença de um antigo espírito do passado de athynir, e Wladimir estava triste que depois de tantos feitos, Athynir estava a desistir de um caminho que era certo: a felicidade. Wladimir conversando com Racan diz que não ia bater de frente com Athynir e que só ele poderia escolher o caminho certo. Wladimir ficou triste pois esse antigo espírito por ser muito pesado e vir das profundezas do pólo negativo, poderia interferir tanto na amizade de Athynir e Racan quanto Athynir e Wladimir. Antes das evocações Wladimir teria ido se aconselhar com outro espírito, o guardião da meia noite…um espírito valente que se denomina dono de tudo que corre na rua. Esse é espírito o guardião é amigo de Racan sempre anda no caminho dele alertando e evitando o mal para esse garoto, Esse guardião está no caminho de Racan a muito tempo desde um pedido muito forte feito pela mãe de ele, que no passado e era grande praticante e conhecedora de várias formas de magia.(pausa…) A muito tempo a mãe de Racan era considerada grande autoridade no mundo espiritual, conhecedora de vários paradoxos do mundo da magia, sua mãe quando se deparou com uma situação de morte de um ente querido, fechou os olhos para o mundo espiritual indo pra religião evangélica. Consequentemente um dia um por a acaso ela revela a Racan que sua família era de grande tradição nas artes ocultas, a gerações cultivam as artes mágicas; Racan intrigado e sempre calado sem opinar sobre religiões em casa, depois de tirar conclusões e analisando comunicados de espíritos, consegue a respostas por que o mundo espiritual o completa e porque tem tanta evolução em seus feitos, Racan sempre ficava pensando porque tantas lembranças a respeito de um passado Mágico em meios a rituais e tradições, queria saber porque era diferente dos outros, porque não entrava no mundo dos sonhos como todo mundo mais em breve tudo ira se responder com o caminhar dessa história . Mais voltando, depois de falar com o garoto, Wladimir fala que outro quer falar com o rapaz, então da passagem a outro espírito, o Guardião dono da rua. O Guardião saúda o rapaz com um abraço forte e paternal, logo depois com seu temperamento rústico começa a conversar a respeito dos grandes acontecimentos que fluíam a volta. Conta ele que Wladimir estava inquieto com as situações e veio pedir conselhos a ele. O guardião estava intrigado, pois nunca havia se deparado com uma situação no qual tivesse que aconselhar outro espírito, e disse que estava a torcer pelo garoto que não estava totalmente errado nessa história. Es que derrepente Racan sempre uma forte presença se aproximando, o Guardião olha fixamente para o outro lado e percebe que outra entidade estava chegado, com sorriso no rosto ele elogia aquela moça formosa que estava ali a adentrar, ele andou caminhos de fogo, pois foi como se o inferno abrisse um tapete de brasas para esta mulher.Ela nem se quer se importou em deixar seu reinado, uma mulher formosa, bela como a mais linda rosa,um reino de luxúria, que a tem como rainha, a beleza se põe em seu caminho como flores e espinhos, o rapaz ve um vulto de grande beleza, e o compadre guardião olha desmanchando o sorriso, e percebe com ar de amargura ve que aquela moça formosa estava chorando,suas lagrimas ao caírem no chão eram como álcool e em seguida inflamavam. O guardião diz ao rapaz as palavras daquela moça que estava presente, ela estava muito triste com a briga de Racan e Athynir. Ela chorava pois admirava muito o rapaz e seus feitos, alem de admirar o guardiões que andavam ao lado dele. O rapaz com pesar no coração por ver que a moça o qual muito gostava estavam triste mediante aquela situação. Ele pede que como ele não pode, para que ela enxugue suas lágrimas pois o rapaz tentaria achar a solução para essa situação, o rapaz estava intrigado com a situação do retorno do antigo espírito, que poderia conturbar o contato espiritual e amizade dos presentes neste capítulo. O chamado Tifon.
Guardião
Este espírito vive nas ruas, onde reina como guarda entre as encruzilhadas da vida. Forte e jovem, de calça comprida branca e sem camisa, traz consigo o senso da justiça. E é um curador nato, pois sua energia é medicinal. Todavia não faz parte do panteon de espíritos que pertencem a Athynir. Veio ser intermediário dos conflitos entre a vida, a morte e os espíritos. Toda morte ensina algo. O sofrimento nos faz crescer e abandonar velhos hábitos egoístas e profanos. O guardião é o elo do senso de justiça divina, quando todas os julgamentos humanos falharão. E quando o Guardião entra no cenário, há um silêncio profundo. Vivos e mortos procuram respostas para perguntas ainda não formuladas. O guardião, não olha pro chão e nem pro céu. Seu olhar é retilíneo e em direção ao horizonte. Como se bastasse este olhar para explicar sua neutralidade. Ele é sério… sua voz rouca e serena. Quase não fala, ouve tudo atentamente. E quando os vivos se calam ele também ouve os mortos… os espíritos. Porque tanta tempestade para se evitar uma decisão simples de Athynir. Neste momento ele deveria decidir se quer continuar ou parar sua jornada de trabalho com o mundo espiritual. Parece fácil escolher entre uma coisa ou outra, mas, há muita coisa envolvida. Espíritos de luz que lutam para manter a paz entre os dois mundos estariam perdendo uma batalha. Afinal Athynir une qualidade e destreza difícil de encontrar em um único mortal. E por haver forças ocultas envolvidas neste ato, o Guardião precisa de todos os dados do fato. E entre um pensamento e outro Ele percebe que jamais teve que intervir entre vivo e mortos ao mesmo tempo. Espíritos julgando espíritos… realmente as vibrações da noite estão perturbadas.
O Julgamento
O que temos como fatos? Um individuo, que por ser médium reúne espíritos, mortos e ainda consegue ver cenas do passado. Mortos aflitos, precisando de paz… Espíritos de luz e das trevas trafegando livremente nos umbrais do tempo. E somente uma pessoa capaz de ouvir e ver tudo isto. Como se fosse um portal entre a vida e a morte. O julgamento se iniciaria em poucos minutos, se não fosse a presença do verdugo Tarugo. Tarugo é um mensageiro, de outro Espírito, Tyfon. Tyfon é um destes anjos renegados e caídos, que formou seu próprio exercito. Quando nascemos, cada um tem seu anjo de guarda. Tyfon, ao entender as qualidades de Athynir, resolve assumir o posto de anjo da guarda para poder manipular os fatos. No julgamento roga, por seus direitos e quer seu legado. Embora Tyfon tenha a pior fama do universo, seja cruel e sanguinário em suas disputas, o Guardião nada pode fazer contra Tyfon, pois Ele realmente teria o direito a assumir a coroa na frente de qualquer outro espírito e ser o conselheiro de Athynir. Mais uma vez o silencio cala a todos. Tarugo se curva e Tyfon larga seu manto negro no chão… mostrando jóias caras e um punhal ornamentado em pedras preciosas. Uma noite Racan percebe uma estranha sensação no local onde Ele e Athynir dormiam, se levanta e vai até a sala onde athynir estava a cochilar, nota uma coisa diferente, ele percebe que outra pessoa estava ali. Racan viu um homem forte e careca que mexia na cabeça de athynir. Ele logo estranha, vai ate o quarto coloca sua guia no pescoço (seu talismã e seu elo com seu guardião) pega um machado no jardim e vai até a sala confrontar aquele individuo. Racan com a ferramenta em punho chama a atenção daquele homem, Racan respirando fundo e revidando o olhar daquele que era como fogo em brasa, Racan sentindo uma força interna que nunca tinha sentindo antes fala em brado: Quem é você? O que está fazendo aqui? Se não tem nada pra fazer aqui vá embora, você não tem nada a ver com este que estás deitado, olhando com sentimento de ira, ele encara o olhar de Racan, Racan percebe que ele começa falar mais não vê seus lábios se mecherem. A voz que ele ouvia saindo daquele endivido falava: Sou Tarugo, apenas um mensageiro, trouxe uma mensagem para Athynir. E durante menos de 1 segundo, o tempo que Racan pisca os olhos o homem some e aparece na porta só que dessa vez com outra forma, já não era mais aquele homem forte e careca, agora ela alto, extremamente magro, e tinha a pele negra como se fosse queimada pela chamas infernais, Racan percebe que ele some nas sombras e já não sente mais aquela presença que estava a desafiar. Athynir acorda e vê o garoto com machado a seus pés, ele conta o fato ocorrido e logo ele fala ao garoto que teve pesadelos. Racan pega umas folhas no mato próximo a casa e coloca nas portas, Athynir visto e aprovando o que era feito pelo rapaz, pergunta: Você tem confiança no que está fazendo? O rapaz responde: Mais que tudo que eu fiz até hoje… Então volte a dormir isso é mais que suficiente, o garoto seguro do que estava a fazer volta a dormir e como previsto, a resto da noite foi tranqüila como se nada estivesse acontecido.
Tarugo e Tyfon
Para surpresa de todos, Tyfon entrega seu punhal ao Guardião e se comporta de forma moderada. Seus argumentos são que Ele é o anjo zelador de Athynir. Que quando se ausentou, para que Wladimir pudesse a seu pedido tomar conta de Athynir, e desta forma protegê-lo, Wladimir fracassa, pois acaba interferindo na vida pessoal de Athynir de forma imperativa. Quando Wladimir tenta impor suas, por achar que os erros poderiam ser evitados. Interfere no rumo do destino. Todavia Athynir, avisado por outros espíritos, renega Wladimir, atirando num rio seu medalhão cigano. Neste instante a noite parece não ter fim. Dois sofrem… e os dois possuem razões próprias. Ninguém esta certo e ninguém esta errado. É uma cena ortodoxa de grandes conseqüências. Durante 7 anos Athynir caminha sozinho… durante 7 anos Wladimir não consegue seguir seus próprios passos. Tyfon, maioral e imperador dos mundos dos sonhos, pesadelos e desejos ocultos, usa seu dom de conceder visões reais entre os tempos e percebe que precisa ter um enviado ao lado de Athynir, escolhe seu mais fiel e confidente escravo, o carrasco Tarugo. Mas, a vida escreve cenas que somente o ator principal seria capaz de interpretar. Tyfon, que renunciara seu cargo de anjo zelador para ser soberano e imperador das ambições humana.. dela faz seu reino. Volta e por 7 anos é o anjo zelador de Athynir, e depois deste período devolve o cargo a Wladimir, que agora mais amadurecido reconhece em Athynir um grande líder espiritual. Afinal, mesmo só, sem o apoio ou proteção espiritual, Athynir, pagou sem arrependimentos a sua escolha e enfrentou a duras penas o gosto do fracasso e se reergueu. Tyfon assumiu a forma de rato, de cães e pequenos morcegos para proteger Athynir. Logo, Ele preservou seu direito a estar no tribunal, neste julgamento…
Bastidores
O jogo do poder é jogado com valores altos. Interesses pessoais são alvos de lobby político. Duas correntes haviam se formado. A sala para alguns vazia, estava cheia… Wallace, Guardião, Tyfon, Wladimir, Tarugo, Athynir, Racan… e muitos olhares anônimos de curiosos que invadiram o recinto. Quem eram aqueles espíritos e porque tanto interesse em saber quem iria reinar como mentor de Athynir. Os mortos tinham seus interesses e vieram com Wallace. Eram 13… 12 homens e 1 mulher. Estavam no cruzeiro do cemitério, orando por paz… mas eram mortos. Wladimir, rei dos ciganos traz parte de seu bando, uns 10. Todos homens… a maioria velho… conselheiros da tribo. Apenas 1 rapaz… Hyago – Um cigano roubado. Tyfon e seu exercito de demônios que clamavam por uma guerra ali mesmo. O Guardião, que era assistido por mais 7 guardiões. Athynir, que era naquele momento o que falava com os mortos, mas queria ser apenas Lino. E Racan, que observava apenas parte das cenas, pois não tinha o dom de visualizar os mortos e os espíritos…mas sentia suas presenças. O cenário era iluminado por velas… acendidas por Racan. Pequenas criaturas, talvez imaginarias vagavam pela sala, talvez fossem Duendes, Gnomos, Silfos, Elfos ou Fadas.. Talvez apenas desfoque da luz dos carros que passavam na rua e iluminavam a janela. Para Racan, que roubara o cedro das dormideiras, eram realmente elementais.
O baralho
O baralho sempre foi um oráculo consultados por vários povos. As lâminas do baralho trazem figuras de reis, rainhas, servos e escravos. As medalhas das vitórias, Os cedros do poder, Os gládios de grandes heróis, As taças de comemorações infindas da alma. A alquimia dos elementais, a magia da fantasia de historias de amor, indiferença ou ódio. Como cartas mal embaralhadas, cada um tem sua participação no teatro da vida. O baralho possui 4 naipes, 4 reinos.. a água, a terra, fogo e ar. E que quando combinados escrevem situações secretas até para o pensamento fugitivo. Caberia o destino e as marcas do passado ou futuro em tão frágeis lâminas? Esta pergunta é retificada pela desejo de cada um em saber se há algo além deste plano terrestre. Este conhecimento do uso das cartas existente deste a época dos impérios romano ou dos faraós do antigo Egito,foram propagados pelos ciganos em sua peregrinação. Desde cedo, Athynir, usava as cartas para prever o futuro. Trazia em seu bolso sempre a figura do coringa. Esta figura que lembra o bobo da corte, ou um palhaço que esconde sua real personalidade. Este peregrino sem destino, também é cigano… mas se adapta aos locais que chega em caravana. É mago, eremita, conselheiro, ladrão ou um mendigo louco. Assim se sente nosso protagonista dividindo suas experiências de vida com os espíritos. Para realçar nossa cena, cai da estante 7 cartas. As de ouro – Uma vitória 7 de espadas – Uma luta Dama de espada – A morte 8 de copas – novos caminhos J de espada – alguém preso por correntes Curinga – Um mistério velado K de copas – O pensamento aflito Interpretar estas cartas significava saber o resultado do julgamento. Apenas duas pessoas poderiam interpretar estas cartas. Todavia ambas eram um só. Wladimir e Athynir.
Rosa Dourada
As vezes me pergunto por que Wladimir enfraqueceu sua relação de protetor e passou a ser tão imperativo na vida de Athynir. Afinal ele tinha uma missão e não deveria se desvirtuar dos objetivos da profecia dos seres espirituais. Proteger sempre aqueles que amam, mesmo que para isto seja preciso renunciar a própria vida. Wladimir, quando ser vivo, humano como qualquer um de nós, amou uma cigana chamada Rosa Dourada. Cigana formosa, jovem de olhos azuis, uma beleza igualável com voz melodiosa que entoava seu canto e sua sedutora dança por algumas moedas. Rosa Dourada era filha de um cigano poderoso, do clã do ouro. Usava seu sorriso inocente para seduzir o mais bravo guerreiro. Ela desejada por todos, e em especial por Karimo, que teve sua mão prometida por seu pai. Todavia ela tinha vontade própria e não concordava com isso. Seu coração era possuído por Wladimir. Observava cada acontecimento com cautela, e era reservada, se limitando a evitar que outras pessoas percebessem que ela usaria qualquer informação para proteger seu povo das maldades profanas. Num primeiro momento ela não aceitaria este acordo de casamento, todavia , manda a tradição que a palavra de um cigano deve valer mais do que um quilo de ouro. Diferente das outras ciganas, seu conhecimento era amplo e capaz de revolucionar sua era, boatos haviam que ela levava consigo um pequeno saco no qual continham pós e feitiços para qualquer finalidade. Aprendeu com sua vó a matar ou curar com rezas e feitiços. Rosa Dourada é jovem, e por isto busca seu espaço na felicidade. Ela admira e ama em silencio a Wladimir. Há uma maldição em sua vida: amar e não ser amada, e quando amada não encontrada. Esta maldição foi lançada por sua madrinha, que queria que ela fosse religiosa, e seguisse em devoção a Santa Sara.
O relógio e o tempo
A partir deste momento, não há mais distancia entre nós. Nem de tempo e nem de espaço. Nossos pensamentos se unem num só. Esteje você acordado ou dormindo que você pense
em mim. Fale o meu nome e me veja em seus sonhos. Que diante de qualquer pessoa você se confunda e me veja. Que no espelho eu possa ser seu reflexo e na escuridão seus olhos me procurem. Não permita que o relógio afaste nosso pensamento. Que um minuto dure uma eternidade e que a eternidade exista quando pensares em mim. Saio do meu corpo e vago em busca de sua proximidade… somos um e esta unidade me faz imortal. Eu bebo do cálice do destino e mudo a fragilidade da morte. Por este pacto com a lua, com o céu e o infinito estaremos juntos nesta e em outras vidas. Com estas palavras Wladimir, diante de um copo de água e uma vela, invoca o orgulho cigano, e se faz espírito imortal. Rosa Dourada sonha e ouve suas palavras. Em sonhos eles se unem eternamente e vagam entre o mundo dos vivos e dos mortos. Cada um segue um caminho buscando um ao outro, sem nunca mais se encontrarem.
(verificar no computador se há outros artigos)
Cabaré
Nos dias de hoje é difícil imaginar um cabaré. Um local colorido e ricamente enfeitado, com pessoas alegres e diferentes. Uma casa de shows, de jogos e de encontros fáceis. Um ponto romântico para os solitários e inibidos. Este cabaré já não existe mais, mas existiu e suas lembranças são tão reais. Freqüentado por homem de negócios e mulheres de vida fácil. É um quadro pintado que fica na parede da casa de Athynir. Retrata cenas do cotidiano de uma época remota. Uma cena de uma linda mulher rodeada de 3 homens, num salão de jogos, com cartas, dinheiro, guimbas de cigarros e bebidas na mesa. No rosto da corista um sorriso que não transmitia a alegria prometida a todos. A Athynir conseguia ao olhar o quadro ouvir a música suave, sentir o perfume barato no ar e a angustia da solidão que espreitava tudo por detrás das taças de champanhe. Este quadro fora presente de Marlene. Uma pintora que viveu numa época mais romântica… seus quadro tinham parte de sua alma. Marlene morreu aos 80 anos de idade, e era muito amiga de Athynir. Em dias de cansaço, Athynir admirava o quadro, como se pudesse entrar, sentar e compartilhar a vida dos artistas do cabaré. Marlene foi cantora e este quadro era parte das lembranças de sua juventude. Era um refúgio mágico que poucos entenderiam. Mas quem nunca fugiu para cenas retratadas em livros? Ou se imaginou vagando pelos salões retratados em quadros de museus? A lembrança é algo energético. Esta ali… basta tocar e sentir o que o artista queria traduzir. Athynir fitava o quadro e em silêncio refletia. As lembranças são parte de nossa alma, do nosso espírito e ele conseguia viajar pelo passado através destas lembranças. Assim sendo ele era saudosista de épocas que nunca viveu.
Diante do espelho
Diante de ti, meu anjo da guarda, vejo o reflexo de meu corpo, mas não enxergo tua presença. Estais aqui, pois sinto que não poderia suportar o peso de está sozinho. Sinto que este que vejo no espelho não sou eu. Pois quem vejo é um estranho que muda a cada dia. Me sinto jovem e renego a velhice que me assombra com cobranças de erros que não reconheço. Acolhe-me em teus braços e me protege, pois sou apenas uma pessoa confusa diante de tantos mistérios. Ajuda-me a tomar a decisão certa e me de força para suportar o dia seguinte. (Athynir – Está cansado e vai tomar um banho, olha no espelho e diz em sussurros estas frases.) Em seus olhos uma lágrima… Ele entra no chuveiro e quando a água fria do chuveiro cai ele deseja não estar ali, mas sim numa cachoeira. Afinal, sempre foram as águas que lhe cobriram de graças. Athynir é filho de Yemanjá, mas renegou este orixá, quando soube que no mar morreria todo aquele que tinha o seu dom. E então passa a venerar Oxum, a deusa das águas doces. Uma mulher vaidosa, rica e que era capaz de seduzir a própria morte. Athynir se batizara na cachoeira e Oxum o acolheu como madrinha. Nos momentos difíceis Athynir entrava debaixo das águas e ali se refugiada, e recuperava suas forças para uma nova batalha. As águas representavam o colo de Oxum… Sob as águas, as lagrimas pareciam não existir. Ele sai do banho e se olha de novo no espelho… Vê uma estrela de 6 pontas desenhada no vapor que embaça o espelho. É o símbolo de Wladimir. Ele joga o espelho no chão. O espelho se divide em 43 pedaços. Cada pedaço representava um ano de sua vida. E mais uma vez Athynir fala com o espelho… Que destino cruel conhecer o passado que ronda meus sonhos como se fosse meu. Em cada caco há uma história, pessoas que entraram e saíram em minha vida em busca de respostas. Respostas para perguntas que nunca foram feitas. Como refazer a história? Impossível… é como este espelho partido. E Athynir levanta lentamente os olhos em direção ao céu. Neste instante vê as estrelas, a lua… como se não houvesse teto. E se pergunta, onde estou quem sou eu afinal?
Dormideira (Gob)
Dormideira, suas folhas são asas de anjos. Anjos caídos… Que abandonam suas asas para se misturarem com os mortais. Mas se mortais passam a ser,nunca mais anjos serão, pois quando mortais descobrem a relação com o tempo. E eles que pareciam ter vida eterna, estranham que tudo passa rápido demais. Já não viveriam 100 anos e que poderiam até morrer. E para morrer é necessário ter tido um objetivo na vida. Anjos são criaturas que conhecem o jogo da vida. E neste jogo o destino traz suas cartas marcadas e trapaceia livremente diante dos olhos atentos de outras criaturas. Dormideira seus espinhos são lanças que defendem o corpo dos anjos quando eles morrem. Onde há uma dormideira, possivelmente haverá um anjo morto e enterrado. Arranco as folhas da dormideira, como se isto fosse suficiente para me dar asas. Se asas tivesse suberia aos céus e clamaria por uma audiência com Deus. Diante da realeza divina imploraria por paz. Mas, as asas dos anjos creio que são nossos sonhos, e deixei de sonhar quando vi que estamos entre a lucidez e a insanidade. Os duentes, se é que eles existem, protegem as plantas… e são fruto da magia dos elementais. Da fria terra forrada pelo carinho do orvalho da manhã, se faz nascer através de um cogumelo uma nova criatura que desempenhará um papel que somente ele pode fazer pela natureza, controlados pelo grande criador do universo façam sua vontade para que possa florescer a terra e saciar suas criaturas, seres supremos no qual cavam a terra para enche-la de onipotência. Racan é um estudioso de magia e tem flores da dormideira em seu bolso. Como um talismã estas flores de dormideira afastam os duentes de fazerem suas artes, e os faz andar com ele levando a intuição aos seus ouvidos. Racan achou referencias sobre os anjos, duentes e dormideiras num velho livro de magia que encontrara numa antiga livraria durante a suas andanças pela cidade do Rio de Janeiro, em meios de um velhas páginas e antigos manuscritos ele vê a força e a magia dos seres a natureza. Para Racan aquele livro era inseparável… Alias para questionar um pouco da existência dessa magia responda? Alguém já viu a dormideira abrir?
Samalandras (Djin)
Os Espíritos têem formas diferenciadas de acordo com a evolução do universo. Os mais remotos são primordiais a criação do mundo. Entre a ausência total de qualquer forma de vida, se vem o vácuo eterno de querer saber como a vida se inicia. Este ciclo de perguntas nunca terão respostas, pois são os mistérios da criação. Se há um único Deus, orquestrando tudo, com certeza ele não está sozinho. Criou um exército de servos, e cada servo desejou ter os mesmos poderes… a inveja é como o fogo que se inicia inocente e de repente envolve e destrói. Mas, os Espíritos do fogo, Salamandras, na verdade não conseguem ter vida própria. Dependem de se alimentar de outros seres. Normalmente purificam o ambiente, pois ao queimarem usam em priori os restos de energia perdidas no ambiente. Energias estas que são desejos abandonados ou sonhos frustrados. Lembranças que torturam a saudade humana ou não. Basta uma vela acessa para que o balé das Salamandras se inicie. São fluxos de cores tentando explicar a origem da vida. Em algum lugar do remoto passado houve um desejo e este desejo se perdeu, quando a criatura almejou ser o criador. Dizem que as Salamandras são poderosas criaturas, que aprisionadas na ganância não conseguiram mais evoluir. O poder do fogo encanta, ilumina e destrói. É como se retrata-se de forma rápida o ciclo da vida. Mais cedo ou mais tarde o que tanto todos temem, a ele irão se associar.
As Trevas
Por que temes tanto as trevas… e por teme-la prometestes libertaste as Salamandras, e ao iludi-las com falsas promessas decretou sua prisão eterna e servidão. Anjo cuja beleza é incomparável. Cuja sabedoria é tão ampla… Por que queres reinos que não te pertences? Para fugir das trevas precisas do fogo das Salamandras e assim também se tornastes escravo do medo das trevas. As trevas são a ausência da luz. Mas nas trevas o eco do medo é mais forte e é ouvido por séculos. É de trevas as prisões da reflexão dos justos e dos injustos. Neste momento se comparam… é uma cela que não se sabe as dimensões. É como simplesmente fechar os olhos e se perder dentro de si. As trevas então se iniciam em cada um de nós. São galerias trancadas com paredes de gelo. O gelo polido parece cristal. Mas a friagem logo denuncia que diferente do cristal, não há poesia e sim lágrimas no arrependimento. As vezes tomamos atitudes precipitadas e não conseguimos voltar o tempo. Ceder e reconhecer que erramos. Então o que fazer? Creio que foi assim que a legião das trevas recrutou seu exército de renegados. Entre o pecado e o prazer não deve haver muita distancia. Pois o pecado é envolto da luxuria incontrolável que os grandes reis desejam só para si. O ouro, as mais belas flores, as mais destruidoras armas, escravos submissos as vontades alheias, fartas festas sem prazo para terminar… O período das trevas é o inicio e fim de qualquer insegurança humana ou não.
A revolta das ondinas
Os anjos,podem caminhar sobre as águas, pois são leves e possuem asas que os fazem flutuar até sobre as nuvens. Outros espíritos,vivem em reinos mais distantes, como as profundezas dos oceanos. São ondinas, sereias que encantam e dominam a vida no mar. São guardiãs da vida nas águas. Fazem com que haja sempre renovação da flora e fauna marinha. De certa forma são vaidosas criaturas que desejam caminhar pela terra… e assim o fazem, mas por apenas pouco tempo. Dependem da lua cheia, e esta não é eterna. Foram encantadoras mulheres guerreiras, que traíram o demônio e sofreram sua perseguição. Encontraram abrigo no reino das águas, e ali estão imunes a ação dos carrascos que as perseguem por toda a eternidade. O fogo e a água são opostos! Cada qual quer mostrar mais poder e soberania. Conquistam aliados e fazem escravos a cada batalha. Talvez por isto se usa uma vela ao lado de um copo d’água. E no retorno do cenário do julgamento, o bem e o mal estão representados por sigmas opostos. Do lado de fora trovão, clarão, ventania e a chuva… é a pintura final para expressar que há desarmonia no universo. Athynir é um personagem. Lino é um ser vivo. Lino possui a proteção das águas doces ou salgadas. Estas águas são suas aliadas na hora de clamar pelo criador. Wallace que morreu nas águas é um mero escravo do arrependimento. Precisa se redimir para seguir seu destino. Wladimir viajou os 4 cantos da terra por mares aberto. Venera o fogo e não teme as tempestades. Por ser um espírito que deseja a vida para si e para sua amada, e assim reencontrar seu grande amor Rosa Dourada e a paz de seu povo, prefere o silêncio diante do vendaval.
Eber Louco
A modernidade oferece recursos imediatos. Nosso novo personagem mora em algum lugar distante e talvez seu nome seja sempre uma incógnita. É um destes talentos natos que cativam amizades virtuais pela rede. Surgiu quase que por acaso e aos poucos, todos os dias, com troca de e-mails e foi conquistando seu espaço como amigo. Mora distante, no Ceará, em alguma cidade pequena e talvez monótona. Seu desejo é fugir para grandes metrópoles como Rio de Janeiro ou São Paulo. Aventureiro e sonhador fez planos para morar junto com Athynir, o qual fez seu símbolo paterno. Alias, voltando a história de Eber Louco, ele não conhece seu verdadeiro pai, foi criado por sua mãe, que pouco fala sobre seu passado. Eber é jovem e como todo jovem quer conquistar seu espaço e ser produtivo. Seu valores ainda estão sendo adquiridos a cada dia, pois, seu foco nesta história é de ser um personagem comum… Em sua vinda para o Rio, haverá contra tempos. Histórias divertidas e que precisam ser registradas para amenizar o clima místico da trama. Ele é do tipo que vive no celular, e com a câmera faz fotos de tudo. Ao rever suas fotos perceberá que há algo estranho além da paisagem. Tarde demais, os espíritos o cercam a cada ato… A ilusão e a loucura moram lado-a-lado. Eder conviverá com novos amigos, incluindo os seres que sua imaginação libertou. Wallace estará seguindo Eber como se fosse uma sombra.
Perfume no ar
A noite é fria… Reunidos na sala amigos. De repente um forte cheiro de perfume quase sufoca a todos. Um vento frio fecha a porta da sala. Todos se calam e talvez haja mais alguém no ambiente. Na dúvida o som do coração forma a orquestra do medo. Cada um dos presentes tem seus motivos para desejar abrir a porta e sair. Mas, ninguém se atreve. Aos poucos Athynir sente que Wladimir esta no ambiente. Inicia-se o contato… Wladimir chega e é bem recebido. O perfume também o encanta. A dama da noite parece saber disto, e exala o olor de mil flores… É a vida e a morte se reverenciando. É a loucura sensata e profana de reunir dois mundos. Wladimir rei dos ciganos é neste momento soberano e zela por todos os presentes. Ele prever a chegada de um novo membro.. Eber Louco. Wladimir gosta das pessoas com espírito aventureiro e cigano.

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