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Estranhos

 

Éramos poucos,

Mas, muitos em união.

Nada tínhamos e pouco precisávamos.

O calor do seio seco

Alimentava nossas esperanças.

Durante o dia era aquela agonia,

De manhã cedo se saía à trabalhar.

E nós, os pequenos, inocentes e ingênuos,

Íamos à escola como uma obrigação.

Era colégio publico,

Além de pensar no futuro incerto,

Havia a merenda para segurar o dia.

As vezes de noite,

A gente mal se via,

Pois o cansaço esgotava qualquer um.

Mas não faltava

Nunca a alegria

De no domingo,

Sentarmos juntos para uma refeição.

Éramos humildes e felizes.

Hoje somos muitos, cada um do seu lado,

Poucos em união.

Os pequenos cresceram

e seguiram a estrada do mundo,

ou morreram e com eles seus mundos.

Nos tornamos estranhos,

Unidos raramente numa mesa de lei,

cresceu um vazio

Onde morou a união.

 

Judas

 

À ti verme,

Que se esconde entre frases incompletas,

Que visam destruir o mundo de um ser humano,

A minha ira.

Não aceitarei suas ofensas calado.

As labaredas dos meus olhos

Se excitam de ódio

Só de pensar na tua existência.

Meus dentes rangem em clamor ao fim da tua maldade.

Mereces sofrer o tanto quanto fez sofrer.

Meus ouvidos desejam

Ouvir teus gritos de clemência,

E meu coração marca o tempo que falta para sua derrota.

Aos poucos a arena da vida

Se faz pequena

E pelos teus poros vazam tua covardia.

Não olhas para frente,

nem mesmo quando encontra a tua imagem no espelho,

nem a si mesmo consegue enfrentar.

Covarde.

És pobre como pobre foram tuas vitórias roubadas.

Teu beijo ácido não vale

As poucas moedas

Com a qual construiu tua destruição.

 

 

Usurpação

 

Com ar inocente

Muita gente aproveita

De uma paixão incandescente

Para se fazer de sádico.

Fazem de suas palavras

Guilhotinas que são como

Vespas atacando abelhas para roubar

O nécta do mel de seu trabalho.

São como uma flor bela

Que atrai colibris famintos

E os envenenam com o sabor da morte

 

Resposta ao amor

 

Foram não,

São quase sete anos de união,

Que hoje é sustentada por um fino fio de seda.

Momentos bons aconteceram

Não se pode negar.

A decisão é tua… torço pelo sim

E não pelo fim.

A estrada já foi feita,

Apesar de alguns buracos,

Então porque construir outra?

Talvez não haverá verbas (amor)

Suficiente para o acabamento.

A vida é tua ,

Quero a sua felicidade.

Dependo de sua decisão

Para saber se digo volte logo

Ou adeus.

 

 

Meu quintal

 

Lembro de frutas maduras

Que por si só caiam maduras no chão.

E ali apodreciam,

Alimentando apenas a fartura da terra.

Lembro de pássaros variados

De cantos encantadores,

E de seus ninhos

De capim e barro que acolhiam os filhotes.

Das noites de sereno,

Com grito de sapos e grilos.

Lembro de lombos suados,

De bois bravos e cavalos soltos

Que corriam sem destino

Pelos morros verdes,

Pelas fronteiras abertas

Se escondendo no meio da lamparina,

Cuja fumaça era bela.

Do fogão de lenha

Que queimava o tempo

E aquecia a alma.

Lembro do riacho frio,

Que matava a sede

E espantava o sono.

E de outras tantas coisas pequenas,

Mas que são grandes por serem eternas.

Ainda ouço o apito do trem

Lembrando que é hora de partir.

 

 

Brindemos

 

Existiu certa vez entre nós,

Um sentimento forte demais para ser definido.

Alguma coisa sincera e singela

Que não pode ser definido apenas como amizade

E grande demais para ser apenas amor.

Algo assim como uma mentira maldosa.

Uns olhares ingênuos, discretos e imorais.

Ou ainda algo tão distante que não tem forma

Apenas é enquanto existir.

 

Estrelas

 

Se ao ver cair dos céus uma estrela cadente,

Perdida e solitária, assim como você ou eu…

Faça um pedido e acredite.

Somos como a gota de chuva

Numa tarde ate então alegre

Que não sabe ao certo porque

Estraga a tarde ate então ensolarada.

Não deixe o seu sorriso se apagar

Por tão pouco,

Pois a lua também muda.

E ela é tão forte e bela

Mesmo na sua fase minguante.

Lembre-se que o calor da manha

Foi sentido por você e por mim…

Mesmo distantes.

E as vezes é preciso que falte

Uma noite clara

Para que os teus olhos

Não admirem somente as estrelas

Mas, também entenda

Que o infinito

É o próprio firmamento.

Há uma razão

E esta razão é a nossa própria existência.

 

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